Paris, capital da França, cidade luz, é também a capital mundial do amor. O porquê, eu não sei. Talvez quando eu visita-la eu descubra, mas a fama existe há anos e anos e muitas histórias de amor hollywoodianas tem a Torre Eiffel, a Champs Elisee e os belos jardins do Palácio de Versalhes como pano de fundo. Até Woody Allen teve seu mais recente trabalho locado em uma Paris da década de 1920.
Mas nenhum filme tratou do amor na Cidade Luz como "Paris, je t'aime" (2006 - França, Alemanha e Suiça), em português, "Paris, Eu Te Amo". Dividido em 18 curtas, com títulos dos "arrondissements" de Paris, algo como os bairros da cidade. Vários cineastas, de várias nacionalidades, como Gus Van Sant ("Elephant", "Paranoid Park", "Milk"), Alfonso Cuarón ("Y Tu Mama También", "Harry Potter and the Prisoner of Azkaban") e o brasileiro Walter Salles ("Abril Despedaçado", "The Motocycle Diaries", "Linha de Passe"), foram convidados a escrever e dirigir cada curta. O resultado é um trabalho bonito e bem interessante.
Os 18 curtas tratam puramente do amor, mas o amor de formas de várias formas. O amor romântico, o amor platônico, o amor pelo filho, o amor exagerado, o amor não correspondido, o amor fantástico, o amor sem preconceitos, o amor por uma cidade. Aliás, o curta mais interessante é o último, que trata do amor de uma norte-americana por Paris. Delicado, narrado em um francês carregado de sotaque, emociona. Assistimos Paris por outro ângulo, meio solitário, mais completamente apaixonado. Alguns tratam de temas bem delicidos dentro da sociedade francesa, como imigrantes e a presença cada vez mais forte dos muçulmanos no país.
Muito mais que histórias de amor, "Paris, Je T'aime" me parece ser a história da essência de uma cidade. Há a versão nova-iorquina, "New York, I Love You", que não consegue ter a mesma dinâmica que o primeiro. Talvez justamente por característicias próprias das cidades. Estão em processo de produção "Shanghai, I Love You" e "Rio, Eu Te Amo", todos no mesmo esquema, vários curtas, escritos e dirigidos por vários diretores.
Apesar de acreditar que "Rio, Eu Te Amo" vai ter uma mágica toda própria, vai ser difícil falar de amor de uma forma tão delicada e tão diversificada como em "Paris, Je T'aime". Até porque, não deve ser atoa que Paris é chamada de a Cidade do Amor, certo?

1 comentários:
Ei esta é minha função! Tô zuando.
Bem, Paris, Eu Te Amo é um bom filme, mas às vezes o acho água doce demais. Entretanto não há como negar que sob o olhar de cada diretor é possível ver a Cidade Luz sob suas mais diversas formas, sem criar um ar fantasioso, desnecessário devido à mistica própria da capital francesa.
Um filme para quem acabou de se apaixonar, pois ajuda a entender os mecanismos do amor.
Prefiro a visão paralela e universal de passado, presente e arte de Paris, na visão apaixonada de Allen.
Ah, parece ter sido seu anivérsário. Então meus parabéns atrasado e desejo tudo de bom.
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