terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os primeiros raios de sol entravam pelas frestas da cortina mal fechada. Ainda de olhos fechados, ele percebia a claridade. Seus instintos teimavam em querer abrir os olhos, porém a preguiça matinal era bem maior. No escuro das pálpebras, ele tateou a cama até encontrar uma mão. Envolveu-a na sua. Deu um sorriso preguiçoso, aliviado em saber que aquela mão ainda estava ali. Sentiu um movimento na cama e seus instintos venceram a preguiça e olhos se abriram. Viu algumas mechas bagunçadas de cabelo, um nariz e uma boca semi-aberta. Lembrou que ela respirava pela boca e percebeu como era incrível que ela não roncasse. Pensou em tirar os cabelos da frente do rosto, talvez estivessem a incomodando, mas ela dormia calmamente, não parecia nada incomodada e ele achava adorável a bagunça que era os cabelos dela ao acordar. Planejou um cafuné, mas teve medo que ela despertasse. Ele não queria isso. Ela parecia tão confortável naquele sono... então um pequeno suspiro aconteceu e os olhos dela se abriram timidamente através dos cabelos. Ela os tirou do rosto e deu um sorriso sonolento.

- Bom di...
- Shiiiu.
- Que foi?
- Não fala nada. Vem cá, me abraça.

Calmamente ele se aproximou, puxou-a para si e deu um abraço. Percebeu que ela sorria, então sorriu também, depositando um beijo na testa dela.

Ficaram daquele jeito apenas alguns segundos, quando ela saiu do abraço, deitando de frente para ele e fechando os olhos lentamente. Ele ainda envolvia a mão dela e foi assim que esqueceu dos incomodos raios de sol e voltou a dormir.

30 dias. Até lá muita chuva, muita correria, muita bagunça, muitos abraços, algumas mensagens de texto, alguns presentes, uma pitada de melancolia, depois a alegria, então a esperança e os fogos de artifício. Depois 365 novos dias para novas promessas, novas resoluções, novas dificuldades, novas surpresas, o mesmo stress, mais crescimento pessoal, contínua felicidade. A continuidade do ciclo.

Take a deep breath.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O sol ia embora e com ele mais um dia quente de verão. De mãos dadas, os dois andavam pela praia, brincando com a onda que, calmamente, beijava a areia e deixava a sua marca. Riam, corriam, paravam, se olhavam. Trocavam juras de amor, promessas para uma vida inteira. Então se beijavam e sorriam novamente, olhos brilhando, talvez pela luz do sol, mas certamente pela admiração, pelo carinho, pelo amor.

Mais tarde, sentaram na areia, observando a lua recem chegada a iluminar o mar. Deitados, observaram as estrelas, deram as mãos e agradeceram por todas as boas surpresas do último ano, principalmente aquela a qual as mãos estavam entrelaçadas. Se olharam e no completo silêncio se compreenderam, como sempre o faziam.

Era imperfeitos, cheios de defeitos, de questionamentos, de coisas que não era de agrado aos dois, porém perfeitos. Perfeitos um para o outro.

sábado, 21 de novembro de 2009

Eu gosto de observar as crianças. Gosto da maneira como elas se surpreendem com o mundo, como os olhinhos brilham a cada novidade. Gosto da inocência no rosto, da surpresa na fala, da beleza dos gestos. Gosto como elas sorriem espontâneamente e como fecham a cara da mesma maneira. Gosto da sinceridade. Gosto da docura, gosto da risada, gosto das bochechas.


Então, o tempo vem e a gente cresce e, sabe-se lá como ou porque, tudo isso vai embora. A inocência vira malícia, o mundo não nos surpreende mais e a novidade... que novidade? Os sorrisos raramente são espontaneos, vive-se de máscaras, de aparencias, de convenções. Perde-se o brilho no olhar. A sinceridade transforma-se em hipocrisia.


Ser adulto deveria ser tão fácil quanto ser criança. Deveria ser tão mágico, tão cheio de surpresas como é na infância, pelo menos não perderiamos a nossa essência e não nos transformariamos em máquinas que fazem e agem basicamente da mesma forma.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Paixão

Eu sempre quis ser jornalista. Quando eu aprendi a ler e a escrever, eu dedicava uma boa parte do meu tempo a escrita. Eram histórias bobas de criança, boa parte delas curtinhas, mas os meus maiores incentivadores, meus pais, adoravam todas elas. Foram eles que me disseram, ainda na infância, que eu deveria ser jornalista.

Eu cresci querendo ser jornalista. Com o tempo a minha escrita diminuiu, mas minha curiosidade aumentou. Passei a procurar mais, a aprender mais, a estudar mais. Lá estavam, novamente, os meus maiores incentivadores, sanando a minha curiosidade e me fornecendo cada vez mais recursos de aprendizagem.

Quero ser jornalista. Hoje, nos meus 21 anos de idade, ser jornalista é a minha maior certeza. Eu nasci para isso. Nasci para horas exaustivas de trabalho, nasci para uma redação tumultuada e congelada pelo ar condicionado, nasci para pesquisar, apurar, ser curiosa, nasci para escrever.

É uma profissão onde "fazer carreira" é difícil, demorado e que nem sempre o salário é satisfatório, mas eu tenho paixão. Paixão pelo o que eu escolhi aos 8 anos de idade e paixão pelo o que pretendo fazer pelo resto da vida.

sábado, 7 de novembro de 2009

- Me abraça? - Ela pediu.
Ele abraçou.
- Para sempre? Me abraça desse jeito para sempre?
- Uhum. - Ele concordou com um murmúrio no ouvido esquerdo dela.

Um pacto. Uma promessa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ela nunca foi fã de sapos. Ele ria do medo dela. Era uma noite fresquinha de primavera, em um tipo de férias fora de época. Os sapos estavam lá, por todo o caminho, visíveis e audíveis e ela ficava cada vez mais pálida de medo, quase em pânico. Ele? Ele ria. Ria, debochava e fazia piadas. Ela, como sempre, se irritava, mas isso não a impedia de grudar no braço dele cada vez com mais força. Segurança. Apesar de tudo, ele era segurança.

Quando o caminho dos sapos acabou, ela pensou na volta onde haveria, quem sabe, mais deles, coaxando e inchando o peito daquela jeito estranho. Ele a distraiu, brincou dizendo que sapos mudam de lugar e que, provavelmente, muitos deles estariam atropelados. Então, a distraiu novamente, arrancando risadas do rosto tenso.

Realmente, não havia mais sapos no caminho de volta e eles conversavam sobre coisa qualquer, aleatoriedade normal de qualquer casal. Ela ainda agarrava o braço dele. Não, não era medo agora. Era conforto.